Milícia não é só policial à paisana extorquindo cidadãos em comunidades desprotegidas. Milícia é um conceito de poder que consagra uma lei própria, negando a lei de todos, forjando um código odioso de opressão e morte. É negar a lei de todos pela imposição da lei de poucos.
A entronização da barbárie.
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A Copa deixou claro que em pouco tempo as crenças e os valores tradicionais do futebol serão submetidos por uma nova ordem, em que o dinheiro ganhará escala e protagonismo.
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Sempre que pesquiso na internet sobre os efeitos do uso concomitante de remédios e bebidas alcoólicas, mais me convenço que bebida alcoólica foi feita para quem tem saúde, ou seja, para quem não bebe.
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De nada vale o ressentimento se ele apenas servir para um acerto de contas. Quem se desressente, se liberta do jugo do fel.
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A vida é como os charutos: tem de ser bem enrolada, bem embalada, bem curtida, desfrutada com tempo, mas sempre acaba em cinzas.
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Toda vez que um grupo de pessoas se declarar “Fechado com fulano”, sendo fulano um cretino, feche a porta.
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Numa democracia, todos têm direito à livre expressão, até os cretinos. Pode-se ser livre e cretino. Mas o cretino deve ser reconhecido como cretino, só assim se atenuam os efeitos colaterais de sua cretinice.
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O ciclo de violência contra a mulher não se encerra. Todos os dias imagens chocantes mostram mulheres com rostos deformados pela estupidez de seus “companheiros”. Há uma atmosfera de impunidade que estimula a boçalidade de misóginos facilmente identificados por suas preferências. Uma sociedade que se hierarquiza por gênero já nasce morta.
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A tese da polarização calcificada reduziu a complexidade do que está em jogo em 2026. O clichê que muitos jornalistas papagueiam pela força simbólica da expressão não basta para explicar os 40% dos brasileiros que admitem votar numa figura deletéria.
O poço é mais fundo.
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Analistas confiáveis preveem que a IA concentrará ainda mais riqueza, e restringirá fortemente as oportunidades de emprego. A discussão se voltará para se será ou não possível democracias num mundo sem emprego e capital acumulado nas mãos de poucos.
Seriam as Big Techs as novas nações? A globalização capturada pelos senhores da tecnologia?
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Menino, pedi à minha mãe uma bandeira do Fluminense. Ela costurava com arte. Minhas roupas de garoto eram feitas por ela. Caprichou na bandeira. Ia orgulhoso pro Maraca com a bandeira confeccionada pela arte de seu amor por mim, reiterada pela beleza dos pequenos gestos.
Impossível, ainda que assistindo ao jogo pela televisão, não voltar a um Maraca imaginário, lembrando dela e da bandeira dela.
Nada em mim tão Fluminense.
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A inteligência artificial capturou o YouTube. Toneladas de lixo derramadas todos os dias.
O Twitter, território onde se podia aprender e discutir as coisas com humor e inteligência, foi esfacelado pelo algoritmo do Musk.
Vai sobrar pouca coisa das vidas real e virtual.
Da real, talvez visitar bibliotecas. Da virtual, revisitar presencialmente amigos.
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Uma das boas consequências de o “Bom Dia, Brasil” suprimir o resumo das notícias no final foi ficarmos livres da cantilena do Heraldo Pereira: “Aqui, da capital federal da República, no Planalto Central do Brasil, para você, que nos dá a honra de acompanhar o “‘Bom Dia, Brasil”‘.
Desesperador.
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A liberdade de imprensa é um direito tão intocável quanto o direito de a sociedade se proteger do jornalista canalha que usa a liberdade de imprensa para cometer crimes.
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Coisas simples que nos inundam de sentido de paternidade.
Uma de minhas filhas que mora longe me pediu uma cópia de sua certidão de nascimento.
Eu tinha, enviei dois minutos depois.
Um cretino diria:
– Ain, mas que bobagem, todo pai tem
Sabe nada de ser pai.
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O frio do Rio de Janeiro guarda caprichos que almas poucos sensíveis podem desperceber. Um frio deslocado da topografia chama-sol exuberante. Um choque, mas antes um presente. Uma delícia a cidade se introspectar pela expiação prazerosa dos exageros de seus dias quentes.
Gosto.
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Cajuína e Ciúme, diamantes autorais do cancioneiro sertanejo brasileiro. Do sertão de Rosa, Zé Lins e Gonzaga, não do sertanejo pasteurizado. Obras de espírito, indeléveis, feitas para o fim de todos os tempos, se tempo houver e, se havendo o tempo, houver um fim.
Caetano faz 84 anos em dia com seu tempo, qualquer tempo, mas sem deixar morrer nele a alma brejeira do Brasil dos pequenos cotidianos.

Fiquem à vontade, afinal, ninguém tem razão