O maior obstáculo à direita articulada, que pensa quinze centímetros acima da superfície do pântano, é a extrema-direita. Porque normaliza a boçalidade, vulgariza a estupidez, sem apontar caminho que não seja caricato. Alinhar-se à extrema-direita encurta a via para o conhecimento fútil ou feroz, ambos filtros eficazes a qualquer forma de inteligência. Mas a questão guarda complexidade: no campo da direita, só a extrema-direita tem voto.
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Há mais o que lamentar pelo fim da Rádio Eldorado, decretado pelo grupo Estadão. Seu fim foi consequência de um novo arranjo cultural bem mais lamentável. A superficialidade ganhou protagonismo. Pode ser um sinal ainda mais preocupante: o fim do rádio como mídia que atrai o consumidor pelo protagonismo, pela chance de o tornar interlocutor de quem informa, sem a intermediação de algoritmos. Tudo o que se consome nos streamings e nos podcasts se dá pelo autoritarismo do algoritmo, que nos induz a consumir o que lhe convém. Se o rádio deixar de ser útil, morre.
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O Brasil tem a tendência histórica de reproduzir a maldição da Matrioska reversa. Cobre-se uma crise com outra igual, porém maior.
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O ódio distorce a realidade. A realidade distorcida provém prazer compensatório, alívio quando a realidade fere quem odeia pela expectativa desmentida, embora acabe realimentando o ódio.
O ódio ao Lula incitou teorias alucinantes sobre o encontro com o Trump.
Mazelas de quem odeia.
Por nisso falar, o Trump não precisa ser amigo do Lula. Ele só precisa respeitar o Lula. Respeitar o país que o Lula representa.
Aliás, é até bom para o Lula que o Trump não seja seu amigo. É só ver o naipe dos amigos do cara.
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Não há como apartar o Centrão do bolsonarismo. O governo do energúmeno foi tocado em boa parte pelo Ciro Nogueira, chefe da Casa Civil, mandarim do Centrão. A gênese da farra do orçamento secreto.
No governo Lula, o Centrão se alinhou em tudo com o bolsonarismo.
São univitelinos.
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A privatização mais nociva ao povo brasileiro não foi a de nenhuma das grandes estatais importantes para manter sob controle do estado a proteção e gestão de setores estratégicos ao país.
A pior privatização do Brasil foi a do Congresso.
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Sobre carros chineses.
A China vem investindo em toda a cadeia produtiva de exploração das terras raras há 40 anos.
40 anos.
Isso explica muita coisa, principalmente a liderança mundial da China em tecnologia aplicada, base de sua chegada avassaladora na indústria automobilística, em que controla toda a cadeia produtiva, do chip ao chassi, passando pelas baterias. Ao ponto de o presidente da Toyota, a maior fabricante de automóveis do mundo, declarar que a Toyota não sobreviverá se não se reinventar para enfrentar os chineses e sua sofisticada tecnologia.
Enquanto isso, outros se ocupam de guerras que não são suas.
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O bolsonarismo produz um estado de indigência intelectual tão baixo ao ponto de fazer pessoas criticarem o presidente brasileiro por defender os interesses do Brasil.
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A pior solidão é a da companhia indesejada.
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A solidão é um pântano onde a saída caminha insegura sobre vitórias-régias.
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Assistir a uma Copa do Mundo em que somos manifestamente inferiores aos favoritos é uma experiência excruciante aos brasileiros, forçados a encontrar saídas para o tédio do fatalismo.
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O inesgotável Macca faz 84 anos. E chega à idade falando grosso, como sempre, lançando um disco espetacular. Um disco sem idade, com ótimos rocks encardidos e canções que só ele sabe fazer. Maior gênio vivo da música mundial, Paul foi para a minha vida o rochedo do náufrago, o abrigo que a tornou possível. Me socorreu nas angústias, dando sentido a tudo que escapava a meu tato. Fertilizou meus dias de uma alegria que me mantém jovem como ele. Um privilégio ser seu coetâneo.

Fiquem à vontade, afinal, ninguém tem razão