“Rio, 40º, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”
Estação dissimulada
Pela praia e carnaval
Ares de Epicuro
Substância do mal
Quando não maçarico
Estufa e temporal
Deslizamento, enchente
Caganeira exponencial
Dengue, chicungunha
Transtorno incondicional
Camisa ensopada
Corpo expelindo sal
Pele untuosa
Besuntada – é normal
Coletivo empanturrado
De gente feito curral
Se esfregando melados
Num furdunço colossal
Se o ar recende cheirança
Em poluição nasal
Quando chega em casa
Resta posição fetal
Tome de ar condicionado
Pra quem tem capital
Pois a Light nos escorça
Tarifa monumental
O ventilador de teto
Com barulho colossal
Redemoinho de poeira
Sobre a cama de casal
E o repórter cretino
Em euforia estival
Chama de dia lindo
O crematório infernal
“Rio de Janeiro, gosto de você, gosto de quem gosta deste céu, desse mar, dessa gente feliz”
O idoso, combalido
Impotente feito Gizmo
Distrai-se que o verão
Esmaga seu metabolismo
Seu short florido
Achincalhado pelo etarismo
Vira meme nas redes
Reforçando o coitadismo
Mas há quem elogie
Sem disfarçar cinismo
“O Rio de Janeiro continua lindo”
Que Deus se apiede
Dos idosos no verão
Mantendo nos conformes
Temperatura e pressão
Que o intestino não desande
Fique firme a pulsação
Que não prostre na cama
Com desidratação
“Vem chegando o verão, um calor no coração”
Mas tem quem o incense
Com argumento banal
Heliolatria deslocada
Da História como tal
Mas seguindo a manada
Tá na praia, tá legal
O xeipe lapidado
Tara seminal
Músculos intrincados
Feito rede de sisal
Quem há de contê-los
Em sua pulsão boçal?

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