Categoria: Fragmentos
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Desconexas 09
Nos anos 70, Amado Batista trabalhava numa livraria em Goiânia em que se reunia uma turma de militantes de esquerda. Foi preso e torturado por isso. Tornou-se um dos maiores artistas populares do Brasil, vendendo milhões de discos e reunindo multidões em seus shows. O fato de ser sido preso pela ditadura fez com a…
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Desconexas 08
Todo 26 de setembro marca o aniversário de lançamento de um dos mais importantes álbuns dos Beatles e da música de todos os tempos, o último álbum de estúdio dos gênios de Liverpool, Abbey Road. Embora o álbum Let it be tenha sido lançado depois, foi gravado antes. Abbey Road não só imortalizou uma prosaica…
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Desconexas 07
Dúvida, vestíbulo seguro, a chave do cofre. Se aberto pela vivência e sentidos, encorajo-me, sigo em frente. Farejo a sala, espio os quartos, fuço os corredores e deito inquieto à espera da recompensa. Se me bater simultaneamente confiança e angústia, acertei. —–x—– No tempo do Brasil opressor da sensibilidade, o mais chocante da carta com…
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Desconexas 06 – Filmes e afins
Produzido pela Oprah Winfrey para o Netflix, “Olhos que Condenam” reverbera um grito angustiante contra o absurdo poder discricionário do estado quando decide condenar alguém, ainda que inocente Cinco vidas adolescentes dizimadas pela manipulação sórdida dos fatos em nome de uma certeza vazia. Como pano de fundo, o racismo odioso. Um libelo. —–x—– Plea…
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Desconexas 05
“Durmo com a vida e a morte na mesma cama” (Bob Dylan, em “I Contain Multitudes”) Quando as luzes do quarto se apagam prenunciando o que deveria ser descanso, acendem em mim os monstros guardados do dia. Meu torpor de mar de enseada, em preempção, me leva bruscamente a mar aberto, com ondas de pavor…
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Desconexas 04
A religião deslinda a morte de várias formas. Quase sempre associadas à libertação. O budismo pune com a reencarnação, com o reenfrentar as agruras, sofrimentos e espantos que fazem da nossa vida um fardo de que nos esforçamos libertar pela insobriedade ou pela fé. Para os católicos, perda, ainda que se creia em uma nova…
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Desconexas 03
Desde menino me vi instado a apreender a essência das coisas pela linguagem codificada de minha mãe. Dona Juraci, de quem tenho uma sufocante saudade, era pessoa que reunia com versatilidade incomum ternura e rigidez. Dotada de fino senso de humor, rainha da sutileza em suas metamensagens, imperatriz do sarcasmo cortante. Desenvolveu com o tempo…
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Desconexas 01
Vez por vez bate a saudade de chegar em São Pedro da Aldeia e minha mãe me receber com café e coração quentes. Com meu pai, no crepúsculo de céu abarcante, pedindo gelo ao Vaval, para, quando o café deixasse a boca, dividirmos um Johnny Red no deque que orlava a piscina de azul transparente.…
