Categoria: Crônicas

  • Cervical Carioca

    Já faz tempo. Verão de 2009-2010. Voltara de Brasília, em temporada de três anos, onde bons amigos deixei ao lado de boas recordações. Submetido a restrição motora de meu braço esquerdo por conta de síndrome neurológica pós-livramento-da-segundona, passei por meses a acrescentar ao trinômio bermuda-chinelo-camiseta, com que piso nos meus dias, um acessório pra légua…

  • Quartos

    Vez sem desvez, os que podemos consumimos nossas vidas pela histeria de cumular, de jogar no cesto de nossa vaidade tudo quanto é capricho ou traquitana que pode juntar a bufunfa que suamos ou não para ganhar. Se filho macho em idade de atrevimento, a lida de muitos é juntar de forma a prover o…

  • O Padre e a Noviça Voadores

    Me lembra ainda menino quando vi pela primeira vez a Sally Field. Linda em sua insuspeita beleza pós-adolescente, a exalar carisma por cada poro de minha tv arcaica. Fazia uma noviça que juntava ao dom de desnudar pensamento a valença de voar a bordo de seu generoso chapéu. Ou seja lá o nome que se…

  • 71

    Uma réstia de luz oprimida pela cortina grossa e vasta me mantém vivo no entardecer ralentado do meu quarto. Vivo no meu quarto. Minha vida, meu quarto. Meu quarto, não importa por onde desatinar ou arrefecer. Por trás da cortina, há luzes iridescentes, pórticos de arco-íris. Não mais o arco-íris que trazia no colo tenro…

  • Falando Pelos Polegares

    Meu bom pai, patriarca baiano de cepa invergável, submetido ao imprevisto de um filho temporão hiperativo a interromper sistematicamente seu monólogo familiar, reagia em desabafo: – “Esse menino fala pelos cotovelos!”. O cotovelo é uma simpática articulação que nos permite cofiar o bigode, coçar as orelhas, ajeitar os cabelos, e aos mal-educados tirar meleca em…

  • Xavantinho e Indigenous

    Pro ouvir música num sou de emeiação, num tranço fila: ouço o que me adentra bem as orelhas. Despreconceituo feito um Ronaldo Fenômeno à socapa. Tenho cá comigo, entretanto, minhas gostanças, e recheio meu tocador cum um miolo delas. De começo, muito brega seminal, o lamento bramido do lumpesinato banguela. Não trança de brega ornado…

  • Boicotança

    Essa história de português baixar o braço em brasileiro pelas ruas de Lisboa me deixou por cá bolado. Chegado a uns espasmos patrióticos, quando por vez finjo cisco no olho pra função de desculpar pingo de lágrima escorrendo preguiçosa aos primeiros acordes de Francisco Manuel da Silva. Garrei de ficar puto com a netada de…

  • Estamos na Semifinal – Estamos em Casa

    No dia em que entortamos o destino e chegamos entre os quatro maiores do mundo, ao lado de três gigantes europeus, o Fluminense se sente em casa. Afinal, somos um gigante brasileiro, sul-americano e mundial. Por nossa história e mística, por nosso peso na construção das bases do país maior vencedor do futebol mundial. Hoje,…

  • Chegamos às Oitavas

    O Fluminense chegou às oitavas da Copa do Mundo de Clubes. Fomos além do que muita gente boa ou ruim previa. Nosso grupo era ilusoriamente fácil. Vimos nos intercontinentais que essa impressão estava muito descolada da realidade do futebol mundial. Não é novidade em nossa história. Nossos “timinhos” foram longe, conquistaram títulos épicos. Provaram com…

  • Três Lembranças Tricolores

    Na morte do Telê A morte, antes de mais nada, é uma rotunda sacanagem. Flanamos pela vida a ver a vida como um Tívoli Park num roteiro de Feitiço do Tempo, e vem a morte, sorrateira, com seu condão de esmagar nossa temporalidade. Efêmeros, imaginamo-nos eternos ao fechar defensivamente os olhos ao passar do tempo,…