– Se tem taipeira, dotô, é roça boa.
Num quis mais saber de espicho de prosa com Sidoca. Ele entendia de bicho e gente, de roçado e desterro. Sidoca juntou pela vida família e enrosco de escapar de dedos de mãos em duas. Andava ressabiado com uns e aqueles que arrodeavam o cupim de uma belezura que lhe caiu de nuvem por purgar sofrimento de abandono de homem. Mulher, é por prudente manter distância de corda, porque vontade, quando vem na trela, homem de nenhum, se é do ramo, troca por risco. Sidoca é cabra moldado em fio de foice e desejança de saliença. Num rejeitou barra de saia nem por conta de perder missa ou batizado. Tinha um jeito de lidar com moça que é pra homem guardar feito guia de viagem, varize de estrada cortando estrada, com nome e sobrenome de cidade, bairro e caminho.
Por obra de tentação, Sidoca vagou por cheiro de cama no fio da navalha. Escapou de bala, peixeira e corretivo, sabe Deus que por enredo de milagre fosse. Mantinha por tempo em que esta conversa se deu cinco moradas de sossego de instinto: “Cinco muié da boa, de saciá querença de légua”. Mirinha, por porém, tirou-lhe o prumo, fez dele cão mandado, de cheirar chão por onde dono passa.
– Sidoca, cinco num tá bom?
– Tá dotô, mas num tá certo.
Mirinha guardava mais que encanto, guardava veneno, quié desgraça de homem quedado. E se das cinco Sivoca dava trato nos conformes de desejo e indesejo que mulher varia por deixar tonto homem de incansaço, de Mirinha, Sidoca apeou no descontrole, desempatando desejo, desejando quando Mirinha indesejava. O que era alento virou troça, e num houve homem da currutela que num tenha deixado de temperar conforto onde antes vicejava inveja. Cabra nenhum num tá livre de desassossego se o fogo da tentação lhe sobe às ventas.
– Dotô, tô costumado em coversá com bicho e mato, com moita e encruzilhada, mas no entretanto essa Mirinha buliu com minha lida de roçar, barrigar no balcão e fazer muié feliz.
– O que é que tá buliçando suas ideias, Sidoca?
– Óia, pensei no pió. Em cancro de estripar fela da puta que dela se aconchegasse, mas vou sossegá com as cinco. E em cada noite que o bicho me espetar a conciença, vou tramá feito cobra de emboscada, e guardá vontade pra liça de coisa fácil, quié de pouca labuta. Num vou trelar pra muié de alçapão, que quer gaiolar homem pra após fazê o cabra rastejá. Se de tinhoso ou alma penada hômi decente num deve se medá, de muié cobiçada, dotô, é praga de doença descurada, é fogo queimando o estomo qui nem caroço de pimenta. Vou ficar no sossegado, dando conta das cinco, e segurando esse tremer de desejo que num me deixa dormir sem que dele trate. A vida é desse jeito. Tenho pouco, mas é melhor qui demais.
Num dei mais por conta de notícia do Sivoca, só sei que ninguém morreu de seca ou acerto por onde ele morou e mora. Sossegou com as cinco.

Fiquem à vontade, afinal, ninguém tem razão